(text available only in Portuguese)

    Oliveira Marco,
    a vida é para ser vivida.

    Quanto à vida é para ser vivida. É altamente improvável que o Marco tenha pensado muito sobre isto.
    Bom, cresceu em Pedrouços, meteu-se na música e toca orgão. Andou no design, fez e desfez com cartazes e outros como tal. Mandou-se para a serigrafia e acabou por fazer das suas. Viveu no Rio de Janeiro, trabalhou e aprendeu no meio das palmeiras, por lá no Parque Lage. Acabou a pintar. Regressou ao Porto e pronto.
    Não é alheio ao estilo e não é de certeza de estilo alheio.
    Portanto, quando vemos um velho, um cão ou uma mota; Umas palmeiras, uns pés caminhantes ou um boi que olha; Um carro da polícia, a palavra ruim ou uma galinha digna, é porque provavelmente se trata disso. Parece pouco?
    Se umas nos fazem lembrar a Maia, outras levam-nos a dar um passeio apertado no Humaitá, todas elas regadas com uma versão caseira do que é isto do ser popular. É simples.
    Se lhe perguntassem qual a banda sonora para estes trabalhos, ele provavelmente recomendava outros para a resposta. Mas o facto é que os trabalhos não foram feitos a seco. Girava ainda resistente das suas andanças musicais, som muito antigo, bem português; A novidade psicadélica do excêntrico William Onyeabor, o balanço do mestre Nilton Banana com o seu olhar sobre a “Tristeza”, até o Ed Lincoln com o “Ganso” e todos esses nomes do caraças. Mas sobretudo tocavam as novidades trazidas pelos amigos que defendem invictos o que de melhor se pode ouvir, fazer e reproduzir no Porto, quem sabe até mais longe.
    Um filme? Provalvelmente aconselhava um que todos tivessem gostado, acessível em qualquer cinema com intervalo. Disse-me que gostava de série B e que acreditava no Carpenter, mas conhece mais. “Assalto ao trem pagador” tinha um bom título, o 8 1/2 tinha uma atmosfera única mas não o influenciou.
    Ele gosta do que é bom e por aí se fica.
    Alheia-se dos intelectualismos porque enfim, não tem a menor hipótese, mas pinta com a atitude de quem não se importa.
    São setenta cem sem merdas.

    Estava a gravar?