OLIVEIRA MARCO

Eat Popcorn/Drink Coke

No 3º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, de 28 a 1 de Outubro.   

Pintura de tríptico aberta ao público que tem por base a experiência de introdução de mensagens subliminares levada a cabo pelo publicitário e especialista de marketing James Vicary em 1957.
A experiência original, conduzida num cinema de New Jersey, consistia em projectar imagens a uma velocidade tal que estariam abaixo do limite perceptivo consciente do espectador. As frases “Hungry? Eat Popcorn” e “Drink Coca-Cola” foram projectadas durante o filme aumentando, alegadamente, a venda de Coca-Cola e de pipocas no cinema. A notícia da experiência levou a acreditar o geral do público que haviam mensagens escondidas em todos os lugares. Instalado o medo, não demorou a que embalagens de comida, maços de tabaco e músicas tocadas ao contrário fossem alvo de suspeita de introdução de mensagens subliminares.

Mais tarde Vicary desmentiu a experiência, afirmando que os resultados nunca foram suficientes para qualquer conclusão. Foi um truque publicitário.
Com verdade científica ou não, esta experiência faz parte de uma cultura popular, passível de ser integrada no contexto da pintura.
A mensagem e a palavra escrita são recurso na pintura de Oliveira Marco. Este é um exercício que testa os limites de percepção. Que dispersa e concentra. É um trabalho para os mais concentrados e para os mais dispersos.
É uma homenagem à espectacularidade da experiência original e ao imaginário colectivo que criou.

OLIVEIRA MARCO / A FESTA

Na Galeria PATCH,  Rua do Rosário, 193. Porto.
De 20 de Junho a 31 de Agosto de 2015.

Oliveira Marco, artista plástico e músico portuense, apresenta a sua segunda exposição individual na cidade do Porto, na galeria PATCH.

Continua o seu caminho pela identidade cultural portuguesa, sem pudores. Desta vez mostra à laia da nostalgia a sua Festa.

Aqui o estilo afasta-se do santo e do profano para que estes possam caminhar de mãos dadas.

Marcha o padre por alturas de cortejo festivo e ri o bêbado abençoado, pronto para o sôco. Bebem-se refrescos, frescos, e adoram-se os falsos deuses. Contam-se histórias que todos sabem mas que ninguém quer falar e lá segue o andor.

Já no adro eram 40.

No preto e branco ou no azul e vermelho e até no preto, branco, vermelho e azul fica claro que a cada canto seu Espírito Santo e é consensual que o Diabo descobre com o chocalho.

E agora os insultos.

“A Festa” é uma visão singular do ser popular em formato cartaz, para ser consumida em alturas de bailes de Verão. São 12 telas e um painel construído por módulos em madeira pintados a acrílico.

Arre compadre!

OLIVEIRA MARCO / 70×100

No antigo Talho 16 do Mercado do Bolhão
de 20 de Dezembro de 2013 a 10 de Janeiro de 2014.

Bom, o Marco cresceu em Pedrouços, meteu-se na música e toca órgão. Andou no design, fez e desfez com cartazes e outros como tal. Mandou-se para a serigrafia e acabou por fazer das suas. Viveu no Rio de Janeiro, trabalhou e aprendeu no meio das palmeiras lá no Parque Lage. Deu por ele a pintar. Regressou ao Porto e pronto. Expôs num antigo talho do Bolhão, ou não fosse ele filho de um antigo locatário e este o lugar das suas andanças de criança. Teve qualquer coisa de manifesto.

Não é alheio ao estilo, não é de certeza de estilo alheio. Portanto, quando vemos um velho, um cão ou uma mota; Umas palmeiras, uns pés caminhantes ou um boi que olha; Um carro da polícia, a palavra ruim ou uma galinha digna, é porque provavelmente se trata disso. Parece pouco?

Se uns nos fazem lembrar Pedrouços, outras levam-nos a dar um passeio apertado no Humaitá, todos eles regados com uma versão muito caseira do que é isto do ser popular. É simples.

Se lhe perguntassem qual a banda sonora para estes trabalhos, ele possivelmente recomendava outros para a resposta. Mas o facto é

que os trabalhos não foram feitos a seco. Girava ainda resistente das suas andanças musicais, som muito antigo, bem português; A novidade psicadélica do excêntrico William Onyeabor;

O balanço do mestre Milton Banana com o seu olhar sobre a “Tristeza”, até o Ed Lincoln com o “Ganso” e todos esses nomes do caraças.

Um filme? Naturalmente aconselhava um que todos tivessem gostado, acessível em qualquer cinema com intervalo. Disse-me que gostava de série B e que acreditava no Carpenter, mas conhece mais. “Assalto ao trem pagador” tinha um bom título e o “8 1/2” veio com uma atmosfera única mas não o influenciou.

Ele gosta do que é bom e por aí se fica.

Alheia-se dos intelectualismos porque enfim, não tem a menor hipótese, mas pinta com a atitude de quem não se importa.

São setenta cem sem merdas.

Estava a gravar?